{"id":5202,"date":"2026-03-12T16:29:33","date_gmt":"2026-03-12T19:29:33","guid":{"rendered":"http:\/\/cotrimadvogados-adv-br.umbler.net\/?p=5202"},"modified":"2026-03-12T16:30:25","modified_gmt":"2026-03-12T19:30:25","slug":"juiza-concede-recuperacao-judicial-a-associacao-civil-sem-fins-lucrativos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/cotrimadvogados.adv.br\/?p=5202","title":{"rendered":"Ju\u00edza concede recupera\u00e7\u00e3o judicial a associa\u00e7\u00e3o civil sem fins lucrativos"},"content":{"rendered":"\n<p>A ju\u00edza\u00a0Andr\u00e9a Galhardo Palma, da 2\u00aa Vara Regional Empresarial e de Conflitos Relacionados \u00e0 Arbitragem de S\u00e3o Paulo, concedeu, em car\u00e1ter liminar, a recupera\u00e7\u00e3o judicial ao Instituto Nacional de Assist\u00eancia Integral (Inai), uma organiza\u00e7\u00e3o da\u00a0sociedade civil, sem fins lucrativos, que atua em \u00e1reas como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, ci\u00eancia e tecnologia.<br><br>No pedido de recupera\u00e7\u00e3o, o Inai alegou que\u00a0a crise financeira que acomete a associa\u00e7\u00e3o seria decorrente do inadimplemento, por parte do governo\u00a0do Par\u00e1, de tr\u00eas contratos de gest\u00e3o vinculados a hospitais de campanha, no ano de 2020, no auge da crise da Covid-19. Al\u00e9m disso, afirmou que,\u00a0embora seja uma associa\u00e7\u00e3o civil sob a \u00f3tica formal, substancialmente configura-se como empresa.<br><br>Em uma an\u00e1lise inicial do caso, a magistrada ressaltou que a associa\u00e7\u00e3o\u00a0n\u00e3o se enquadraria nas hip\u00f3teses previstas no artigo 1\u00ba da\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2005\/lei\/l11101.htm\" target=\"_blank\">Lei\u00a011.101\/2005<\/a>, que estabelece quais empresas t\u00eam direito ao requerimento\u00a0da recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Desse modo, para a presente verifica\u00e7\u00e3o sobre a probabilidade do direito de deferimento dos pleitos formulados na exordial, \u00e9 necess\u00e1ria a realiza\u00e7\u00e3o de uma revis\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o do entendimento jurisprudencial acerca da utiliza\u00e7\u00e3o do instituto da recupera\u00e7\u00e3o judicial por associa\u00e7\u00f5es privadas prestadores de servi\u00e7os de relev\u00e2ncia social&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Originalmente, afirmou Palma, havia o entendimento no TJ-SP de&nbsp;que associa\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos, independentemente&nbsp;da atividade econ\u00f4mica realizada,&nbsp;n\u00e3o possu\u00edam legitimidade ativa para pedir a recupera\u00e7\u00e3o judicial. Por\u00e9m, na vis\u00e3o da ju\u00edza, a situa\u00e7\u00e3o mudou com a crise da Covid-19, que teve grande impacto na economia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Situa\u00e7\u00e3o mais grave&nbsp;recai sobre os agentes econ\u00f4micos prestadores de servi\u00e7os ligados \u00e0 sa\u00fade. Diante disso, imperativo se faz que o Poder Judici\u00e1rio tenha uma maior sensibilidade na an\u00e1lise dos pedidos recuperat\u00f3rios, sobretudo para conforma\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es ao princ\u00edpio da preserva\u00e7\u00e3o da empresa estatu\u00eddo no artigo&nbsp;170, III, CF, e no artigo 47 da Lei 11.101\/2005, e dos benef\u00edcios econ\u00f4micos e sociais&nbsp;decorrentes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme a magistrada, \u00e9&nbsp;justamente esse posicionamento que vem se consolidando na jurisprud\u00eancia. Ela destacou o n\u00famero crescente de processamentos de recupera\u00e7\u00f5es judiciais de associa\u00e7\u00f5es civis sem fins lucrativos que prestam servi\u00e7os de relev\u00e2ncia econ\u00f4mica e social, como \u00e9 o caso do Inai. Como exemplo, Palma citou a recupera\u00e7\u00e3o do&nbsp;Hospital Evang\u00e9lico da Bahia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Para al\u00e9m dos casos envolvendo organiza\u00e7\u00f5es civis voltadas \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os m\u00e9dico-hospitalares, nota-se a consolida\u00e7\u00e3o da jurisprud\u00eancia p\u00e1tria no sentido de deferir, de forma excepcional e justificada, o processamento de associa\u00e7\u00f5es civis sem fins lucrativos que possuem relevante atua\u00e7\u00e3o em segmentos como a educa\u00e7\u00e3o&#8221;, completou a ju\u00edza, citando as recupera\u00e7\u00f5es do&nbsp;Instituto Metodista de Educa\u00e7\u00e3o e do&nbsp;Instituto C\u00e2ndido Mendes.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso concreto, Palma falou em &#8220;n\u00edtidas semelhan\u00e7as&#8221; com os precedentes, a revelar a probabilidade do direito do Inai&nbsp;de efetuar o pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial, bem como a excepcionalidade de n\u00e3o se exigir o registro formal na junta comercial.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A despeito de n\u00e3o possuir registro mercantil, a associa\u00e7\u00e3o requerente exerce atividade econ\u00f4mica organizada para a produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de bens ou servi\u00e7os para o mercado, sendo respons\u00e1vel pela gera\u00e7\u00e3o direta e indireta de empregos e tributos. A associa\u00e7\u00e3o despenha,&nbsp;portanto, inequ\u00edvoca atividade empres\u00e1ria, a teor do que disp\u00f5em os artigos 966 e 982 do C\u00f3digo Civil&#8221;, explicou Palma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Situa\u00e7\u00e3o excepcional<\/strong><br>Desse modo, prosseguiu a ju\u00edza, o pedido&nbsp;n\u00e3o deveria ser analisado sob a &#8220;\u00f3tica estritamente formalista&#8221;&nbsp;da natureza jur\u00eddica do agente econ\u00f4mico, e deveria prevalecer, para fins da aplica\u00e7\u00e3o da Lei 11.101\/2005, a efetiva atividade desempenhada pela pessoa jur\u00eddica requerente, em respeito ao princ\u00edpio da preserva\u00e7\u00e3o da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A situa\u00e7\u00e3o concreta subjudice trata-se de n\u00edtido caso excepcional. O cen\u00e1rio apresentado imp\u00f5e, assim, uma mitiga\u00e7\u00e3o, dentro dos limites constitucionais, dos dispositivos legais que vedam a recupera\u00e7\u00e3o judicial de entidade que, apesar de formalmente n\u00e3o ser registrada como empresa, exerce atividades tipicamente empres\u00e1rias&#8221;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo a magistrada, o Inai preencheu todos os requisitos legais para requerimento da recupera\u00e7\u00e3o judicial, conforme o artigo&nbsp;48 da Lei 11.101\/2005, e a inicial e a emenda foram instru\u00eddas nos termos exigidos pelo artigo&nbsp;51 da mesma legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;H\u00e1 risco de dano no indeferimento liminar do pedido, pois, no caso concreto, como j\u00e1 amplamente destacado na presente decis\u00e3o, a requerente desempenha importante fun\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica, como fonte geradora de riquezas, tributos e empregos. Contudo, encontra-se em elevado grau de endividamento, com o passivo estimado de cerca de R$ 17.164.799,86&#8221;, finalizou.<br><br><strong>Jurisprud\u00eancia dividida<\/strong><br>Para o professor da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo), advogado e especialista em recupera\u00e7\u00e3o judicial,\u00a0<strong>Oreste Laspro<\/strong>,\u00a0a doutrina e a jurisprud\u00eancia\u00a0est\u00e3o divididas em rela\u00e7\u00e3o ao cabimento da\u00a0recupera\u00e7\u00e3o\u00a0para associa\u00e7\u00f5es civis sem fins lucrativos, pois, embora sejam agentes econ\u00f4micos, com atividade organizada, gera\u00e7\u00e3o de empregos e pagamento de tributos, n\u00e3o se adequam \u00e0\u00a0literalidade do artigo 1\u00ba\u00a0da Lei de Recupera\u00e7\u00e3o Judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 inequ\u00edvoco que, especialmente a partir da crise da Covid-19, h\u00e1 uma tend\u00eancia de alguns tribunais, em car\u00e1ter excepcional, admitir a recupera\u00e7\u00e3o judicial nessa hip\u00f3tese, em especial em \u00e1reas relevantes como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Por ora, as C\u00e2maras Especializadas do TJ-SP se posicionaram em sentido contr\u00e1rio, mas a quest\u00e3o ainda n\u00e3o foi decidida pelo STJ [Superior Tribunal de Justi\u00e7a], portanto, estamos longe da pacifica\u00e7\u00e3o do tema&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: ConJur<br><br>Dispon\u00edvel em: <strong><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2022-dez-21\/juiza-concede-recuperacao-judicial-associacao-fins-lucrativos\">https:\/\/www.conjur.com.br\/2022-dez-21\/juiza-concede-recuperacao-judicial-associacao-fins-lucrativos<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ju\u00edza\u00a0Andr\u00e9a Galhardo Palma, da 2\u00aa Vara Regional Empresarial e de Conflitos Relacionados \u00e0 Arbitragem de S\u00e3o Paulo, concedeu, em car\u00e1ter liminar, a recupera\u00e7\u00e3o judicial ao Instituto Nacional de Assist\u00eancia Integral (Inai), uma organiza\u00e7\u00e3o da\u00a0sociedade civil, sem fins lucrativos, que atua em \u00e1reas como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, ci\u00eancia e tecnologia. 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