{"id":5518,"date":"2026-03-12T16:29:32","date_gmt":"2026-03-12T19:29:32","guid":{"rendered":"http:\/\/cotrimadvogados-adv-br.umbler.net\/?p=5518"},"modified":"2026-03-12T16:35:00","modified_gmt":"2026-03-12T19:35:00","slug":"julgamento-de-execucoes-fiscais-federais-apos-decisao-do-stj-no-iac-15","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/cotrimadvogados.adv.br\/?p=5518","title":{"rendered":"Julgamento de execu\u00e7\u00f5es fiscais federais ap\u00f3s decis\u00e3o do STJ no IAC 15"},"content":{"rendered":"\n<p>Recentemente, o STJ (Superior Tribunal de Justi\u00e7a) finalizou o julgamento do Incidente de Assun\u00e7\u00e3o de Compet\u00eancia (IAC) n\u00ba 15, que discutia a possibilidade de processamento e julgamento de execu\u00e7\u00f5es fiscais federais pela Justi\u00e7a Estadual, quando as comarcas de domic\u00edlio das partes executadas n\u00e3o sejam sede de vara federal (fen\u00f4meno conhecido como &#8220;compet\u00eancia federal delegada&#8221;), diante das altera\u00e7\u00f5es promovidas no texto constitucional pela EC n\u00ba 103\/2019.<br><\/p>\n\n\n\n<p>A fim de explicar a relev\u00e2ncia da mat\u00e9ria e suas implica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, cabe uma breve contextualiza\u00e7\u00e3o das principais altera\u00e7\u00f5es legislativas, especialmente ap\u00f3s o advento da Lei n\u00ba 13.043\/2014.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua reda\u00e7\u00e3o original, o artigo 109, \u00a73\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o previa que 1)&nbsp;<em>&#8220;ser\u00e3o&nbsp;processadas e julgadas na justi\u00e7a estadual, no foro do domic\u00edlio dos segurados ou benefici\u00e1rios, as causas em que forem parte institui\u00e7\u00e3o de previd\u00eancia social e segurado, sempre que a comarca n\u00e3o seja sede de vara do ju\u00edzo federal&#8221;<\/em>; e 2)&nbsp;<em>&#8220;a&nbsp;lei poder\u00e1 permitir&nbsp;que outras causas sejam tamb\u00e9m processadas e julgadas pela justi\u00e7a estadual&#8221;<\/em>,<em>&nbsp;&#8220;sempre que a comarca n\u00e3o seja sede de vara do ju\u00edzo federal&#8221;<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, em rela\u00e7\u00e3o aos feitos de natureza previdenci\u00e1ria, a compet\u00eancia delegada era obrigat\u00f3ria, por expressa previs\u00e3o constitucional, bastando que a comarca de domic\u00edlio do segurado ou benefici\u00e1rio n\u00e3o possu\u00edsse vara federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais causas (como as execu\u00e7\u00f5es fiscais e seus respectivos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o), a Constitui\u00e7\u00e3o Federal outorgou \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o infraconstitucional a faculdade de autorizar a compet\u00eancia delegada, desde que a comarca tamb\u00e9m n\u00e3o fosse sede de Vara Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Historicamente, o exerc\u00edcio dessa faculdade constitucional constava do artigo 15, inciso I, da Lei n\u00ba 5.010\/1966, segundo o qual&nbsp;<em>&#8220;nas Comarcas do interior onde n\u00e3o funcionar Vara da Justi\u00e7a Federal, os Ju\u00edzes Estaduais s\u00e3o competentes para processar e julgar os executivos fiscais da Uni\u00e3o e de suas autarquias, ajuizados contra devedores domiciliados nas respectivas Comarcas&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2014, tal dispositivo foi&nbsp;expressamente revogado pelo artigo 114, IX, da Lei n\u00ba 13.043, extinguindo a compet\u00eancia delegada para processamento de execu\u00e7\u00f5es fiscais federais e seus respectivos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, prestigiando a seguran\u00e7a jur\u00eddica, o artigo&nbsp;75 da Lei n\u00ba 13.043\/2014 previu uma regra de transi\u00e7\u00e3o. De acordo com esse dispositivo, a extin\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia federal delegada&nbsp;<em>&#8220;n\u00e3o alcan\u00e7a as execu\u00e7\u00f5es fiscais da Uni\u00e3o e de suas autarquias e funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ajuizadas na Justi\u00e7a Estadual&nbsp;<\/em><em>antes da vig\u00eancia desta Lei&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 esse momento, portanto, n\u00e3o existiam d\u00favidas quanto \u00e0 compet\u00eancia delegada para processamento de execu\u00e7\u00f5es fiscais federais.<\/p>\n\n\n\n<p>Asexecu\u00e7\u00f5es fiscais&nbsp;<em>anteriores<\/em>&nbsp;\u00e0 Lei n\u00ba 13.043\/2014 deveriam permanecer na Justi\u00e7a Estadual, por conta da regra de transi\u00e7\u00e3o (artigo&nbsp;75).<\/p>\n\n\n\n<p>As&nbsp;<em>novas<\/em>&nbsp;execu\u00e7\u00f5es fiscais, por sua vez, deveriam ser ajuizadas perante a Justi\u00e7a Federal. Isso porque, embora o texto constitucional vigente ainda outorgasse \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o infraconstitucional a&nbsp;<em>faculdade<\/em>&nbsp;de instituir a compet\u00eancia delegada, o dispositivo legal que previa essa compet\u00eancia havia sido revogado.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, com o advento da EC n\u00ba 103\/2019, o artigo&nbsp;109, \u00a73\u00ba, da CF, teve sua reda\u00e7\u00e3o alterada de forma significativa, na medida em que foi extinta por completo a possibilidade de haver compet\u00eancia delegada para execu\u00e7\u00f5es fiscais federais.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, a rigor, a regra de transi\u00e7\u00e3o do artigo&nbsp;75 da Lei n\u00ba 13.043\/2014 havia perdido o seu fundamento de validade constitucional (reda\u00e7\u00e3o original do artigo&nbsp;109, \u00a73\u00ba, da CF).<\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, surgiram decis\u00f5es entendendo que toda e qualquer execu\u00e7\u00e3o fiscal federal que tramitava na Justi\u00e7a Estadual deveria ser redistribu\u00edda a uma Vara Federal,&nbsp;<em>independentemente da data de ajuizamento<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso, por exemplo, do ac\u00f3rd\u00e3o proferido pela 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o do Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o, ao julgar os Conflitos de Compet\u00eancia n\u00bas&nbsp;5027983-02.2021.4.04.0000 e 5027965-78.2021.4.04.0000:<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;CONFLITO DE COMPET\u00caNCIA. EXECU\u00c7\u00c3O FISCAL. COMPET\u00caNCIA DELEGADA. ARTIGO&nbsp;109, \u00a73\u00ba DA CF. EC 103\/2019. LEI 13.043\/2019. REVOGA\u00c7\u00c3O. (&#8230;)<\/em><br><em>2. A Emenda Constitucional n\u00ba 103\/2019 alterou a reda\u00e7\u00e3o do \u00a73\u00ba do artigo 109 da CF.&nbsp;A modifica\u00e7\u00e3o da norma acarretou a revoga\u00e7\u00e3o dos dispositivos da Lei 13.043\/14 que ainda mantinham a compet\u00eancia estadual delegada para processar e julgar Execu\u00e7\u00f5es Fiscais relacionadas a entes federais.<\/em><br><em>3. Assim, desde a EC 103\/2019, compete aos Ju\u00edzes Federais o processamento de Execu\u00e7\u00f5es Fiscais que envolvam entes federais,&nbsp;independentemente da data em que ajuizado o feito.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em raz\u00e3o da diverg\u00eancia de interpreta\u00e7\u00f5es entre os Tribunais Regionais Federais, a mat\u00e9ria foi levada ao STJ e afetada para julgamento em sede de incidente de assun\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia, a fim de que o mesmo entendimento fosse aplicado em todo o territ\u00f3rio nacional, nos moldes do artigo 927, III, do CPC\/2015.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao apreciar a controv\u00e9rsia, nesse recente julgamento, a 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o do STJ decidiu que a regra de transi\u00e7\u00e3o contida no artigo&nbsp;75 da Lei n\u00ba 13.043\/2014 teria sido recepcionada pelo novo texto constitucional, fixando a seguinte tese:<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;O artigo&nbsp;109, \u00a73\u00ba, da CF\/88, com reda\u00e7\u00e3o dada pela EC 103\/2019, n\u00e3o promoveu a revoga\u00e7\u00e3o (n\u00e3o recep\u00e7\u00e3o) da regra transit\u00f3ria prevista no artigo&nbsp;75 da Lei 13.043\/2014, raz\u00e3o pela qual devem permanecer na Justi\u00e7a Estadual as execu\u00e7\u00f5es fiscais ajuizadas antes da vig\u00eancia da lei referida.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Analisando a fundamenta\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel notar que a Corte Superior fez uma interpreta\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica para afirmar que o constituinte derivado n\u00e3o teve a inten\u00e7\u00e3o de regulamentar as execu\u00e7\u00f5es fiscais de modo espec\u00edfico, pois o Projeto do qual resultou a EC n\u00ba 103\/2019 nada disp\u00f4s sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, embora o artigo&nbsp;75 da Lei n\u00ba 13.043\/2014 realmente tenha perdido seu fundamento de validade original (ao menos do ponto de vista literal), o STJ entendeu que a incompatibilidade com o novo texto constitucional n\u00e3o seria<em>&nbsp;&#8220;evidente&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Em que pese ser question\u00e1vel o crit\u00e9rio adotado pelo STJ (necessidade de incompatibilidade<em>&nbsp;&#8220;evidente&#8221;<\/em>), \u00e9 fato que a decis\u00e3o prestigiou a seguran\u00e7a jur\u00eddica e levou em considera\u00e7\u00e3o os diversos problemas procedimentais que a revoga\u00e7\u00e3o da norma de transi\u00e7\u00e3o acarretaria.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os impactos, podemos mencionar a necessidade de redistribui\u00e7\u00e3o de uma enorme quantidade processos que ainda tramitam fisicamente, atribui\u00e7\u00e3o de novos n\u00fameros para tramita\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a Federal, altera\u00e7\u00e3o de sistemas processuais etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, aos contribuintes que tiveram suas execu\u00e7\u00f5es fiscais redistribu\u00eddas indevidamente a ju\u00edzo federal e foram prejudicados por decis\u00f5es posteriores (com determina\u00e7\u00f5es de penhora ou at\u00e9 mesmo a prola\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a desfavor\u00e1vel em embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal), recomenda-se uma an\u00e1lise detida de eventuais nulidades processuais, por terem sido proferidas decis\u00f5es por ju\u00edzo incompetente.<br><br>Fonte: ConJur<br>Disponivel em: <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2023-out-05\/vitor-benvenuti-execucoes-fiscais-federais-iac-15\" target=\"_blank\">https:\/\/www.conjur.com.br\/2023-out-05\/vitor-benvenuti-execucoes-fiscais-federais-iac-15<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente, o STJ (Superior Tribunal de Justi\u00e7a) finalizou o julgamento do Incidente de Assun\u00e7\u00e3o de Compet\u00eancia (IAC) n\u00ba 15, que discutia a possibilidade de processamento e julgamento de execu\u00e7\u00f5es fiscais federais pela Justi\u00e7a Estadual, quando as comarcas de domic\u00edlio das partes executadas n\u00e3o sejam sede de vara federal (fen\u00f4meno conhecido como 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