{"id":5541,"date":"2026-03-12T16:29:26","date_gmt":"2026-03-12T19:29:26","guid":{"rendered":"http:\/\/cotrimadvogados-adv-br.umbler.net\/?p=5541"},"modified":"2026-03-12T16:34:59","modified_gmt":"2026-03-12T19:34:59","slug":"socio-que-deixa-de-depositar-verba-em-juizo-nao-comete-apropriacao-indebita","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/cotrimadvogados.adv.br\/?p=5541","title":{"rendered":"S\u00f3cio que deixa de depositar verba em ju\u00edzo n\u00e3o comete apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita"},"content":{"rendered":"\n<p>O s\u00f3cio de empresa que deixa de depositar em ju\u00edzo parcela do faturamento em processo de execu\u00e7\u00e3o n\u00e3o comete crime de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita, pois n\u00e3o se apropria de coisa alheia m\u00f3vel. Com base nessa fundamenta\u00e7\u00e3o, e por considerar a conduta at\u00edpica, a 2\u00aa Turma do Supremo Tribunal Federal, por 3 votos a 2, absolveu\u00a0nesta ter\u00e7a-feira (17\/10)\u00a0um homem que havia sido condenado a um ano e quatro meses de reclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso julgado pelo colegiado, a empresa foi condenada a destinar certa quantia de seu faturamento bruto para pagar uma d\u00edvida. O s\u00f3cio foi designado deposit\u00e1rio judicial, assumindo, assim, a fun\u00e7\u00e3o de transferir os valores ao ju\u00edzo. Por\u00e9m, ele n\u00e3o o fez e foi condenado por apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Habeas Corpus em nome do r\u00e9u, a Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o alegou que ele n\u00e3o cometeu o crime, uma vez que a apropria\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi de bem de terceiro, mas dele pr\u00f3prio, da empresa da qual \u00e9 s\u00f3cio. Portanto, n\u00e3o houve crime, segundo a DPU.<\/p>\n\n\n\n<p>O relator do caso, ministro Dias Toffoli, votou para negar o HC e manter a condena\u00e7\u00e3o. Para o magistrado, o s\u00f3cio n\u00e3o assumiu a obriga\u00e7\u00e3o de depositar os valores como representante da empresa, mas, sim, como deposit\u00e1rio judicial. Ao n\u00e3o faz\u00ea-lo, ele descumpriu seu dever perante a Justi\u00e7a, colocando em xeque a efetividade das decis\u00f5es judiciais, de acordo com Toffoli.<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro tamb\u00e9m opinou que houve apropria\u00e7\u00e3o de coisa alheia, pois a parcela do faturamento da companhia era um dinheiro destinado ao Judici\u00e1rio. O voto do relator foi seguido pelo ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, prevaleceu a diverg\u00eancia&nbsp;aberta pelo ministro Kassio Nunes Marques, que foi seguida pelos ministros Edson Fachin e Gilmar Mendes.<\/p>\n\n\n\n<p>Nunes Marques ressaltou que a determina\u00e7\u00e3o judicial destinada ao r\u00e9u era a de reservar parcela do faturamento da empresa da qual \u00e9 s\u00f3cio e deposit\u00e1-la em ju\u00edzo. O descumprimento dessa obriga\u00e7\u00e3o, conforme o ministro, n\u00e3o configura apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita, pois o crime exige que o bem apoderado seja de terceiro.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Fachin, o fato de o acusado n\u00e3o transferir a verba \u00e9 uma conduta que atenta contra a dignidade da Justi\u00e7a, mas n\u00e3o se trata de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Gilmar citou o HC 203.217, do qual foi relator na 2\u00aa Turma do STF. Na ocasi\u00e3o, o colegiado concluiu que &#8220;o s\u00f3cio-administrador, nomeado deposit\u00e1rio judicial, que deixa de depositar, em ju\u00edzo, parte do faturamento da sociedade empres\u00e1ria, n\u00e3o comete o crime de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita, porquanto falta a elementar do tipo &#8216;alheia'&#8221;. O colegiado equiparou o caso \u00e0 pris\u00e3o do deposit\u00e1rio infiel, declarada inconstitucional pelo Supremo, conforme a S\u00famula Vinculante 25.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o decano do STF, n\u00e3o \u00e9 justific\u00e1vel punir criminalmente o r\u00e9u por deixar de depositar verba em ju\u00edzo. Gilmar ainda disse que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer interpreta\u00e7\u00e3o extensiva do delito de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita.<br><br>Fonte: ConJur<br>Disponivel em: https:\/\/www.conjur.com.br\/2023-out-17\/socio-deixa-depositar-verba-juizo-nao-comete-apropriacao<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O s\u00f3cio de empresa que deixa de depositar em ju\u00edzo parcela do faturamento em processo de execu\u00e7\u00e3o n\u00e3o comete crime de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita, pois n\u00e3o se apropria de coisa alheia m\u00f3vel. 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